Arquivo da categoria: etymo

lições de latim ao modo curvilíngua

pros alienígenas, nós também somos

Della serie: E c'è chi pensa che le consacrate sono noiose... musone... che si…:

* alien(i)- do latim aliénus, que pertence a outrem, de outrem. estranho-estrangeiro, pois. tem origem no verbo afastar. um alien também pode ser chamado de meteco, ádvena, carcamano, pau-de-arara, sarará, vindiço et ceteras. até a aula próxima!, du latim, proximus

Um mutirão de ideias

Gosto de etimologia, a ciência da origem das palavras. No dizer de Machado de Assis, a etimologia é a chave do passado, assim como a filosofia é a chave do futuro. Gosto, também, de quem gosta de veredas etimológicas. Tal o Rosa, do Grande Sertãodificultoso, mesmo, é um saber definido o que quer, e ter o poder de ir até no rabo da palavra. Tal qual o Cortella, quando tece suas filosóficas provoc(a)ções. Lendo um de seus livros – Não se desespere!, ele clama minha atenção para a palavra ‘mutirão’. A esperança como mutirão é o nome do enredo. O Cortella ensina a gente: “A palavra ‘mutirão’ tem origem no idioma tupi. A nação tupi usava a palavra ‘mutirão’ para o trabalho que é feito junto. E a expressão em tupi vem da junção de duas ideias: a noção de tiron, que significa ‘junto’, e po, que é ‘mão’. Por isso, a noção de potiron é a noção de mãos juntas. É daí que vem para nós a noção de mutirão”. O Vocabulário Tupi-Guarani / Português, do Silveira Bueno, confirma o Mário Sérgio: “, chepó, minha mão. Equivale também a 5, o número dos dedos de cada mão”. E “potyrõ, trabalho coletivo de ajuda mútua, donde a forma aportuguesada potyrao, mochirão“.

O fragmento número sete do belíssimo documentário O Povo Brasileiro, inspirado na obra homônima de Darcy Ribeiro, plenamente disponível na internet, versa sobre o universo caipira. O crítico literário Antônio Cândido, um dos estudiosos dessa cultura – Os parceiros do Rio Bonito, Editora 34 Duas Cidades –  diz que a unidade básica da comunidade caipira é o bairro, uma espécie de “naçãozinha”, segundo ele ouviu da boca de um legítimo caipira. A película “A Marvada Carne”, de 1985, dirigida por André Klotzel e estrelada por Fernanda Torres, versa sobre a temática caipira e tem belas cenas de “mutirão”. No poema de Oswald de Andrade, ‘vício na fala’, ele diz: Para dizerem milho dizem mio / Para melhor dizem mió / Para pior pió / Para telha dizem teia / Para telhado dizem teiado / E vão fazendo telhados. O poema põe em debate a questão linguística brasileira; no entanto, os telhados que vão se fazendo perpassam o viés social, e evocam, cavocam, e desembocam no juntar de mãos, no esforço coletivo, humanamente plural, tudossomado todo somassuma de tudo suma somatória do assomo do assombro, na epifania de outro palavrador de paroules, o etimológico Haroldo de Campos (e espaços), multifacetudo, singular e onomasticamente pluralizado em suas raízes étimo-lógicas.

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Deus e o Diabo por trás das Palavras

Alheios aos nomes que nos acometem cotidianamente, em termos religiosos, eis um belo livrinho de tamanha importância: Deus e o Diabo por trás das Palavras. Um apanhado meticuloso de palavras de cunho religioso ou que ganharam, com o tempo, tal conotação. Disposto em ordem alfabética, o autor apresenta ao leitor o que está submerso nas palavras nossas de cada dia, amém.

Alguns exemplos: AZUCRINAR – importunar, aborrecer, cacetear. De azucrim, entidade diabólica e molesta. CAPETA – diabo; criança levada. Esse vocábulo vem de “capa”, por causa da capinha com que o diabo era representado em estampas religiosas. CATEQUESE – processo de instrução cristã; livro com essas noções básicas de iniciação religiosa. Do verbo grego katechein: fazer guardar os ouvidos, donde: instruir de viva voz. QUERMESSE – feira beneficente, com barraquinhas, prendas, leilões e divertimentos. Vem do neerlandês kermisse, festa da paróquia, ou, literalmente, missa (misse) da igreja (kerk). Veio pelo francês kermesse. OGRO – bicho-papão; monstro dos contos de fadas que se alimenta de carne humana. Do latim Orcus, Orco, divindade infernal etrusca.

Para ler, para ter:

Deus e o Diabo por trás das Palavras

Aldo Vannucchi

Nankin Editorial.

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