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básica

a moda vem-e-vai
fica difícil acompanhar
mas de blusinha branca
eu vou a qualquer lugar…

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* a canção pode ser degustada no trecho 11:12 a 14:06.

noutra versão, de badi assad:

http://badiassad.com/pt/musica/verde/#01

 

um brasil de tanga e bravatas

viver alegre hoje é preciso
conserva sempre o teu sorriso
mesmo que a vida esteja feia
e que vivas na pinimba
passando a pirão de areia…

noel, em verso e muita prosa, 1931.

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* o samba na voz do próprio poeta da vila:

* gravação do conjunto coisas nossas:

** eu disse 1931 !

 

 

a quem de direito, direito?

na subida do morro me contaram
que você bateu na minha nêga
isso não é direito:
bater numa mulher que não é sua…

na subida do morro, moreira da silva

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em 1952, na gravadora continental, kid morengueira, em parceria com ribeiro cunha, e acompanhamento de severino araújo e orquestra tabajara, lança na subida do morro.

** a história do brasil perpassa o cancioneiro musical em graves e agudos.

 

a fuga da urbe

quem vai escrever a ópera do sertão?

* elomar é um cancioneiro pulsante, romance de cavalaria sob movimentos antitectônicos; homem-gameleira a ampliar glebas sinfônicas em sua caverna-útero. ele mesmo um vate.

para ser cúmplice de elomar, ouver:

elomar, ave-encantadora, a dialogar signos sígnicos em meio a heraldos, arthurs et paulus:

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poetas de ladeiras e madeiras

um poeta é um ser que lida com a materialidade da palavra com as suas significâncias e in. o luthier é um poeta entranhado in seu lavor,timbre insólito de um labor metrificado em versos líricos. ele, o luthier, lida com a palavra da materialidade em significâncias suas.

dez equilíbrios sonoros (VII)

para clodoaldo pirajá

do xilema ao dilema

* a madeira é um tecido constituído especialmente de celulose e lignina, formado pelo desenvolvimento do xilema secundário dos caules, ramos e raízes de árvores e arbustos. esse tecido vascular, vegetal, formado por elementos condutores de água e células, me pareceu uma estupenda metáfora cosmoagônica da arquitetura do violão e de seu constructor ao fluir seu tatear por células aquosas. o dilema, poeticamente, é o raciocínio constante e intertextual do artesão em suas premissas-veredas, ambas originárias de um mesmo tronco, osso igual ao osso, tecido de um análogo textus, caule de uma mesma árvore criadora.

* fonte da imagem: instagram/clodoaldopiraja.

dez equilíbrios sonoros (VI)

para clodoaldo pirajá

frutificai
multiplicai
cumulai

fecundo soa espécime

* o artesão cosmoagônico, em seu leque arbóreo, a entoar um leitmotiv que declara sua fecundidade andante, cantante. os versos primeiros foram extraídos da transcriação do hebraico, para o português brasileiro, pelo poeta haroldo de campos [bere’shith – a cena da origem]. em nota, o poeta transcreve seu dialogar com o texto hebreu, em busca de uma similaridade intertextual. em hebraico, temos pru urvú umil’ú. o texto em português poetiza: segundo a sua espécie, ecoando os frutos arbóreos e humanos. soa (e também sua, de suor, labor artesanal) é uma nota musical amadeirada. por fim, a palavra espécime (e não espécie, embora de mesma raiz etimológica) tem origem em spek-, olhar com atenção, contemplar, observar. donde também as palavras especial, específico; e mais: perspecto: examinar atentamente, olhar até o fim; prospicìo e prospecto: olhar adiante, ver diante de si; divisar! eis nosso cosmoagônico artesão num luthar harmônico. 

* fonte da imagem: instagram/clodoaldopiraja

dez equilíbrios sonoros (V)

para clodoaldo pirajá

havia tenras asas sob trastes
altíssonos

* o artesão cosmoagônico, a voar em moderato, dialoga com o texto hebreu ao aplacar as trevas com suas tenras mãos sob a face dos trastes outrora silêncio. (c)asa é termo arquitextural do instrumento. altíssonos faz ecoar abismos (e havia trevas sobre a face do abismo). a palavra abysmus também denota cavidade natural de fundo muitas vezes inexplorado. eis o artesão a explorar o fragmento lenhoso!

* fonte da imagem: instagram/clodoaldopirajá

dez equilíbrios sonoros (IV)

para clodoaldo pirajá

e foi arte e manha
ao dispor
céu
tampo harmônico

* a tradução da torah para bere’shith i,v é: e foi tarde e foi manhã. replico, no verso primevo do poema, essa temporalidade, musicando-a em arde/arte e manhã/manha. esta última, no intertexto, vale-se da acepção original da palavra: manha, mania, manus, mão, o que é produzido com as mãos, com desenvoltura, com destreza, com habilidade. usei o verbo dispor por sua estupenda polissemia e dialogismo com a cosmoagonia da série (dez)equilibrante sonora. assim, dispor: por em ordem, arranjar, compor, regular, resolver, harmonizar, combinar, delinear, projetar, determinar, traçar as linhas gerais et cetera. os versos finais dialogam intertextualmente com o bere’shith ao evocar alturas celestes num campo harmoniosamente paronomásico. alçando voos, o artesão amplia seu espaço em movi/pavimentos musicais num azul mosaico primevo.

* fonte da imagem: instagram/clodoaldopirajá

dez equilíbrios sonoros (II)

para clodoaldo pirajá

e disse o artesão:
raja luz!
e o limiar se fez

Timbre 2

* neste (f)ato segundo, nosso arquiteto é flagrado na práxis de sua cosmoagonia, de modo a rajar: a estriar (estreitar?), a riscar, a raiar a luz primeva de seu instrumento polissonoro. a palavra “e”, no início do poema, está a ecoar, num movimento anafórico, uma escansão do versículo bíblico (apud haroldo de campos, galáxias). limiar evoca, num imitar de um cântico ancestralíssimo, o som primordial, o bere’shit cosmogônico hebreu, com o qual pretendo dialogar, ou trialogar, poeticamente. é, também, o limiar, o local que dá passagem ao interior de um ambiente, ou seja: uma entrada; uma porta alerta; um veio nessa riscadura, nessa urdidura a farpas, a cantos, a lascas. a luz está aberta, diz o artesão, a modo de um lastro.

* fonte da imagem: instagram/clodoaldopirajá

 

 

bobby mcferrin: spontaneous inventions

um som cem sons multi song uma nota musical é uma nota é uma nota note não musical por isso mais que tons sons variações variasons per através de cortando intervenções entre sons intermédios graves grave multi agudos aguços gumes afiadíssimos em inventions in nature

bobby mcferrin numa(s) performance(s) atrevida(s). o público é seu instrumento maior, afinadíssimo com os martelos galopantes altissonoros de suas poli vozes. ouvimos seu labutar de fragmentossos, todos a serviço de. e eu, ouvido atento, estalo, rebentoestrondo, divertidíssimo! stupendus! thanks, bobby, many thanks, ferrin. MusiC, thanks!

* ver/ler/ter/ser outras inventionshttp://bobbymcferrin.com/

 

João Cabral de Belo Metro

Sobre degustar poesia: Ler novamente um poema que amamos é como lavar o rosto pela manhã.

Contrapronto, posto, disposto, em lama: o rosto. Olhos tolhidos, estorvados, sem têrmos, a aguçar o palato auditivo, áudio/ativo, radioativo. Ouvir, assim, um poeta, artesão, faber, em seu estado de pedra, raiz, talo, caroço, pão sem miolo, terra, mato, pedernal. Sonora onda melopeica a triturar esquálidos, skeletón, osso a osso, num esboço engenho, arquiteto de paraulas, gravadas e cravadas, ouço e ouço.

O João, essa pedra nutritiva, primi(ativa), a nos usinar em seu discurso cassaco, amarelo; pernambuco e andante; severino e bailarino. Homem espesso, sua articulação fônica diz mais, nunca a mais; poeta a instruir, a iludir, calmo, num caldo de um tal canavial, ressacas em ondas de sua desbotada sintaxe ele anuncia, renuncia, e sina.

Cabral, martelo, bigorna, estribo, soando e suando em membranas semicirculares, em caules de água viva a penetrar, tom atônico, em correntes de ar, em ossos alheios, metal porto.

De sua voz,
de seu lema,
suas farpas,
suas lascas,
poemas.

 

Villa & Duo Melódico

Villa-Lobos!, que nome estupendo para una persona idem. Heitor, sim, como um guerreiro troiano, ou carioca, entremeado de Prazeres. Villa, tal um poeta, da vila. Sua canção melódica é executada de forma inigualável. O Duo Tavares & Faria, mestres, lobos terríveis à espreita do acorde, do agudo som, da mescla de timbres, guitar et cello; e um toque sentimental, a dedilhar, seresteiros, tal os idos da década de trinta. Um Heitor pleno, violão em punho, polegar direito a marcar os bordões. E altos sentidos.

A canção de Villa tem letra da poeta Dora Vasconcelos, e pode ser ouvida, ou vista (ouver), em diversas versões. Vou descrever as que me encantam. A de Bidu Sayão é sublime. O canto de Mônica Salmaso encanta. A voz de Nadine Sierra, além de sua beleza-fêmea, é o ápice. Exuberante, também, é a lectura de Barbosa-Lima, ao violão.

Acorda, minha leitora, vem ver a lua, tão bela e branca, derramando doçura

Minas, montanhas de acordes

Eu tenho um imenso deleite em ver documentários, e há certas películas que não só encantam como também abrem veredas. Os gerais, como disse o João, são sem tamanho. No livro Ave, Palavra!, há um texto do Guimarães sobre as Minhas Gerais, e dele também. Cordisburgo e Três Corações. Diz o Rosa:

(…) Disse que o mineiro não crê demasiado na ação objetiva; mas, com isso, não se anula. Só que mineiro não se move de graça. Ele permanece e conserva. Ele espia, escuta, indaga, protela ou palia, se sopita, tolera, remancheia, perrengueia, sorri, escapole, se retarda, faz véspera, tempera, cala a boca, matuta, destorce, engambela, pauteia, se prepara. Mas, sendo a vez, sendo a hora, Minas entende, atende, toma tento, avança, peleja e faz. Sempre assim foi. Ares e modos. Assim seja.

Em Violões de Minas, estupenda obra musical, visual, intelectual, humana sobretudo, o mineiro, o músico mineiro, compositor, violonista, poeta, dedilhando montanhas, escalando sotaques, às vezes em digressões mineiríssimas, certeiras porém, pautadas por uma voz uníssona e inteligente, eis aí o mineiro: um todo melódico, a ensinar que a vida, vivida, curta, comprida, cumprida, é um Violão de Minas.

 

Estupendo Edson!

O Brasil, além dos já canonizados clichês, é um país referência na música instrumental. Ainda que essa percepção esteja reduzida a alguns sonoros-humanos, é certo que ela ecoa para lá das extremidades brasilianas. No que tange (ou no que range?) à música dedilhada por cordas virtuoses, temos um universo. Melhor, contemplamos pluriversos, galáxias. O violão, instrumento outrora de malandros, vigaristas e ociosos, hoje, um ícone, multissonoro, poliastuto, poliengenhoso. Ibérico, sim, mas permeado de notas e acordes bem-brasil.

Em duo, bi-clássicos brasilianos, Edson musicaliza, desenha ao braço do instrumento uma partitura, em parte tessitura, em arte tênue e pura, como um pássaro raro, raríssimo, mas tão especial que jamais visto. Sua lectura dos clássicos faz, com ele, um trio. Ele, o Edson, um classicus. Brasileiro, sim senhor!

Ouçamos o Edson, não o nascimento, mas esse príncipe das cordas tangedoras, o Lopes.